A chuva caía fina quando ele decidiu não chamar transporte. Preferiu caminhar.
Foi então que a viu, parada junto a uma luz suave, protegida sob uma marquise.
Ela olhou-o primeiro.
— Não tens pressa? — perguntou.
Ele hesitou por um segundo. Depois sorriu.
— Talvez não.
Ficaram ali, conversando enquanto a chuva caía à volta. Era inesperado, leve, quase improvável.
Ela tinha uma forma tranquila de falar, como se cada palavra fosse escolhida com cuidado.
Quando a chuva abrandou, continuaram a caminhar juntos.
Sem planos. Sem expectativas.
Apenas dois caminhos que se cruzaram por acaso — e que, naquela noite, decidiram não se separar tão cedo.
