A música vibrava no fundo do bar, mas à volta deles parecia existir um espaço próprio.
Ela inclinou-se ligeiramente, aproximando-se para falar.
— Lisboa tem noites longas… mas algumas são melhores que outras.
Ele percebeu logo: aquela seria uma dessas noites.
Saíram juntos. A cidade estava viva — luzes, pessoas, movimento — mas entre eles havia uma calma estranha, quase íntima.
Caminharam sem destino definido. Riram. Pararam. Olharam-se mais do que falaram.
Num momento, ela segurou-lhe a mão.
Simples assim.
Sem necessidade de explicações.
E naquela noite, Lisboa pareceu menor, mais silenciosa — como se tivesse aberto espaço só para os dois.
