O Hotel na Boavista

O elevador subia lentamente, refletindo luz dourada nas paredes espelhadas. Ele sentia o silêncio pesado, quase elétrico. Quando a porta abriu, ela já estava à espera.

Elegante, confiante, com um olhar que parecia saber exatamente o que fazia.

— Demoraste — disse ela, com um leve sorriso.

Ele sorriu de volta, entrando no quarto. A vista da cidade iluminada estendia-se pelas janelas.

Conversaram primeiro. Era impossível não fazê-lo. Havia algo nela que não era apenas aparência — era presença, inteligência, segurança.

A distância entre os dois foi diminuindo aos poucos. Um gesto, um olhar, um silêncio confortável.

Lá fora, o Porto continuava a sua rotina noturna. Lá dentro, o tempo parecia ter abrandado.

Nem tudo precisa de pressa para ser intenso.

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